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hoje, isto está 'quem fomos'

fiz este site em 96 para ser 'meu lojinha'
pra ser visto, pra me ver ... e falar um pouco
o antigo sonho de ter um jornalzinho

a my zoom fotografias ltda foi fundada em 1990
mas ora é paulo romeu fotografias ltda
na jucerja, em 2014, sem causa explicada
'garfaram' minha marca, disseram que 'já existia'
o contador nem foi lá saber o porquê

outra:
mostraram-me um paulo romeu no facebook
silhueta de fernando pessoa e montanhas
vários amigos conhecidos 'o' visitaram
eu nunca freqüentei rede social !

'funciono' com email - promeu@myzoom.com.br
é o mesmo há 20 anos

...
Vim/fui para o rio de janeiro por conhecer desde a infância
fiquei 44 anos 'me se virando'

nunca me considerei artista, mas um técnico criterioso, apaixonado pelo ofício
ora vejo que fui um 'provedor de imagens' e ferramenta de marqueteiros
então por volta de 2006 comecei a gastar o entendido

sei como é bom trabalhar só e os dilemas inerentes também
hoje posso entender em parte a guerra que vivi e empatei
...

carreira resumida, aleatoriamente, na minha versão
muita coisa esquecida, outras tantas que não vou dizer

estou 'desempregado' desde 1974
'só-brevivi' com fotografias desde 1969
e de 75 a 2005 tive laboratórios próprios
nem fuji nem kodak: sou cria da agfa-gevaert
arte fotog em poços, iluminação e estúdio no rio
minhas faculdades foram 2 grandes laboratórios
fui fotógrafo e repórter n'o diário' de ribeirão preto
o que me deu consciência da 'imparcialidade' da mídia
lá também fiz muito casamento, formaturas e festonas
no rio trabalhei com o mafra, na colorart e na multicolor
fiz muito trabalho pra medalhões, fui fera das ampliações
em 73 já sobrevoava o rio e o brasil com, pela e para a votec
fotografei muito avião e helicóptero de helicópteros e aviões
mpm, standard, r. kastrup, mccann, jwt me deram trabalhinhos
fazia laboratório pra jacques van de beuque e o marcel gautherot
fui amigo e provedor das ampliações de paula laclette, a botânica
de 73 a 83 servi à petrobrás, vi luxos, buchos e seus fartos caviares
em 1975 me iniciei na área imobiliária com sérgio dourado e a ga, f
de 78 a 2002 ajudei 'seu' oscar niemeyer a apresentar os seus projetos
suas observações claras me ajudaram a evoluir os bons pontos de vista
no plano cruzado fui atrás de trabalhos de engenharia, não parei mais
trabalhei pra as maiores empreiteiras e grandes escritórios de projeto
dezenas de viadutos, centenas de valas canalizadas, duplicações de vias,
mais de mil quilômetros de estradas, urbanização de praças, de favelas,
centenas de kilômetros de "terra incógnita" para linhas de transmissão
complexos penitenciários, industriais e esportivos, terrenões, fazendas,
anéis viários, e mais: implantações estudadas com nossos vôos e fotos
de 92 a 2004 fiz fotos verticais pra quem sabia que eu fazia, ajudei na
rapidez dos projetos, pela nitidez nos detalhes, evoluindo o que podia
pedia 'autorização' a famigerados para fotografar nos seus territórios
entrava de moto, só, em muita favela para estudo de obras, hoje não
um major pm pediu que eu lhes desse palestra com 'máscara ninja'
em 78 colaborei com as exposições do 'programa nuclear brasileiro'
fotografei 70 fazendas do tempo do império para um livro chique
em 81 montei uma fábrica de molduras auto-adesivas e quase fui
entre 86 e 91 trabalh... me diverti com o sérgio bernardes
bebi com darcy ribeiro, festa no oscar, empatamos no falar
oscar nunca me convidou pra beber, eu era 'muito bebê'
ele sempre pedia pra eu contar minhas viagens de moto
não dele, já recusei uma 'boca' no ministério da cultura
agradeci, vi que teria de usar coleira, e ficar na brasilha
por este tempo aprendia a fazer esculturas em madeira
tive que parar pra não perder trabalhos e poder prover
em 83 e 84 fotografei enduros em praias e montanhas
e hoje vejo, me divertia bem mais que os corredores
fotografei o engenhão, das fundações à inauguração
fiz fotos aéreas para univ. harvard, landscape dept
reproduzi arte contemporânea para galerias tops
fui duas vezes à escolinha do professor raimundo
depois tive no estúdio o rolando lero, cascatinha,
seu perú e samuel blaustein; drummond cantava.
a pedido do oscar, fiz as bandeiras do parlatino
fotografei p/ a ufrj; coppe, lab hidrologia, ime
dei palestra na uerj sobre foto-interpretação
servi 20 anos sérgio dias e ricardo amaral
colaborei 10 anos nos projetos do chacel
em 79 fiz fotos de toda a obra de Itaipú
e sei que falta coisa, lembro às vezes
se valer a pena ponho aqui

***

vida suculenta de fotógrafo freelance
muitas vezes de motorista ou de camarote, paparicos
vi de perto muito mais que esperava, situações íntimas
fotografei muita gente trabalhando de me dar vergonha e
tenho vergonha de ter mostrado tantos folgados fingindo trabalhar
ajudei em muitos projetos cujos únicos objetivos eram ser só projeto$
relatórios mirabolantes que exauriam as verbas e comprometiam o objetivo
obras que assim que prontas, arruinavam-se por... por 'falta de recursos'

tive sorte com os engenheiros amigos que mudavam de emprego
e me chamavam para suas obras em suas novas casas
a prefeitura ajudou: queriam as 'minhas' fotos
assim servi todas as grandes empreiteiras

disponível sempre, demorei a aprender dizer não
justificativas não explicam nem justificam
trabalhei pra mocinhos e bandidos
entreguei trabalhos medíocres
mas isso se 'esquece'
.

passei pelas fases das 'certezas', das ilusões e desilusões,
das dúvidas e dos entendimentos provisórios
só depois de ter 'perdido' algumas coisas
é que pude ver o que de fato tenho

meus filhos me abriram os olhos, e pude me orgulhar
não me atormentam as coisas 'erradas' que fiz
acho que tudo foi válido e valioso

cabeçadas, normais, fiz na teimosia
trabalhos gratificantes, euforias efêmeras
abobado com elogios, não evoluí o que deveria
até agora sinto que ainda falta aprender
não há como entender as origens
só as confusões que fazemos

mineiro pobre e deselegante no rio de janeiro
passa por assédios, gozações e constrangimentos
vi muito e sei bem como é

"Nossa sabedoria emana de nossa experiência
e nossa experiência vem de nossas tolices"
S G
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enxurradas de trabalhos na década de 90
quando pude comprar equipamentos sérios
curtia a satisfação de entregar um trabalho bem feito
caras e agradecimentos que valiam mais que o pagamento

só em correrias, não atentei às mudanças
com o google-earth atualizando-se diariamente
e os 'malditos' drones fazendo o que nunca consegui

tentei dominá-los mas não deu certo
fugi da idéia de montar equipe pra isso
já com preguiça de aturar envolvimento com
animadinhos(as), afetados(as) e encostados(as)
(pra encontrar trabalho nunca tive ajuda)
criei corvos e cobras e ainda tenho cicatrizes
perdi as pressas, a empolgação e até as saudades

simultaneamente vieram as 'marolinhas'
depois do susto de wall street em 2008
os grandes clientes reduziram e frearam
suei pra receber trabalhos entregues
nada mais desagradável que cobrar
depois fiquei só fazendo propostas
e o telefone ficou mudo

o que fiz ou deixei de fazer, fui eu mesmo que fiz ou não fiz
sempre saiu do meu bolso o que montei ou contratei
assim me mantive 'nas pontas' por uns 25 anos
fui útil, eficiente e capaz: isto é 'o mais principal'
.
.

fotos aéreas:
talvez tenha mais de mil horas de vôo nesta atividade
vivi várias panes e dois acidentes que podiam ser fatais
meu anjo da guarda foi muito bom, e ainda é, parece

desenvolvi boa antevisão às mudanças de tempo
conhecido pelos pilotos por 'acertar a proa', de longe
comentavam que eu 'tinha um gps implantado no corpo'
foram grandes e bons amigos, todos
.

quando me contratava, todo cliente estava empolgado

voando na baixada fluminense, procurando terrenões,
um gringo de um grande supermercado, vendo aquele mar de pobres,
disse no vôo: "nós vamos venderr muito sabón e macarón!"

mas dava gosto participar de algumas finalidades
de quem, às vezes não cobrava - iniciantes e estudantes

como este, numa obra bonita e bem feita:
barragem de ilha dos pombos, rio parahyba, março de 96
o engenheiro da oas, 25 anos, chorava e gritava no vôo:
"olha paulo, fui eu que fiz, fui eu que fiz !!! "
emocionante

e pra peãozada também
presenteava as ampliações que sobravam das encomendas (fazia 10% a mais)
eles mandavam pra família mostrar e os amigos saberem o que faziam no sul
no metrô botafogo deixei de uma vez uns 8 kg (!) de ampliações A4

mas também tinha que ouvir de clientes 'amigos':
_"o paulo não sabe ganhar dinheiro!" (chefetes da prefeitura)
e de ajudantes bem agraciados: "_ o paulo não tem ambição!"

nunca associei fotografar e administrar uma firma; minhas deficiências
a ida a uma obra longe era um bom passeio de moto ou de helicóptero
a produção da encomenda era meu orgulho de técnica atualizada
e a grana era distribuida a merecedores e 'tomadores'
achava que os contadores fariam sua parte

tive o privilégio de ter grandes e importantes trabalhos
e o direito de dar 1/3 de tudo ao estado

em 2006 reavaliei o que não sabia que já sabia
menos tenho e mais vejo o que não precisava
e, se tudo que tentei tivesse dado certo
nem sei ... acho que foi melhor

aprendo à tarde o que não entendi de manhã
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. . .

sou grato à minha vó Sabina (1886-1975) que me ensinava,
aos 5~6 anos, fazer os brinquedos que seus irmãos, crianças, inventavam
com ela desenvolvi as habilidades básicas que esnobei pela vida
devo muito aos professores inesquecíveis: maria enir (em 1 mês li e escrevi),
luis carlos de oliveira e silva, meu 'irmão', nadir gavião, eunice frizon,
nicola romano, irmão gregório, carmelo luíses, padre jayme sullivan,
mariano jacon, primo fantozzi, júlio bonazzi, wilson moura, carl hilmer,
carlos moscovitch, kenji osanai, joaquim schultz, Dr Yedo
. . . e os que esqueço
e mesmo aos professores chatos e perturbados; não poucos
que são os que melhor nos fazem aprender o mundo
afirmando suas certezas, demonstram outras coisas

sou um pouco de cada um e muito de todos

aos meus 3 filhos ativos; minhas medalhas, meus espelhos e sementes
por quem me fiz precisar e que me alertaram ao que eu não podia ver
e pelas chances de me passar a limpo na convivência com os netos

a um gato gaiato e uma gata sofisticada que resolveram morar aqui
mais os tantos muitos passarinhos que me visitam (pra comer)
também me ajudam mostrando seu cotidiano alegre
refino com eles os estímulos básicos, o que vale
e deles sou o mordomo dedicado

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tenho saudades dos amigos que perdi no caminho
nos que se desviaram e nem sei onde estão hoje

logo passo a régua nas obrigações e gratidões a cumprir
e não há prazo de validade carimbado no meu braço !

enquanto não me arremato, ando aqui na região
conhecendo lugares que só ouvia falar na infância,
motor 2t, boas fumaças, asfalto não, motoqueiro errante
marcando tocos velhos pra cavucar um dia, parando fácil
comendo goiabas, bebendo águas puras, cheirando folhas,
acendendo pito e apurando o ouvido aos sons vivos do lugar,
comidas simples, linguiças, assados, pingas de verdade,
caipiras cheirosas, 'orgânicas', risadas saudáveis,
ainda me fazem encontrar os orgulhos

nem penso fotografar estas caras, estragaria
não tive o berço de alguns medalhões famosos
nem a cara de pau dos exploradores de pobreza
só converso muito e lembro bem, o que vale a pena
'linháis', fotos de passeio 'borram' a memória

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aqui perto, quis saber de um velho carreiro que freqüento,
Seu Jair, 90 anos que caminha mais rápido que eu

_ qual era a velocidade de um carro de bois ? quanto vc andava num dia ?

ele parou, olhou pro chão, pra mim ... e disse mansinho:

" _ O boi anda na toada da cantiga do carro ! "

assim é que vale
a vida se equivale
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