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Hoje isso aqui só pode ser o 'quem fomos'

Fiz este site em 96 para ser 'meu lojinha'
pra ser visto, falar e poder me ver

fundei a my zoom fotografias ltda em 1990
mas ora é paulo romeu fotografias ltda
por que
na jucerja, em 2014, 'garfaram' minha marca,
disseram que 'já existia', insisti que era minha
e o contador nem foi lá saber o porquê

outra:
mostraram-me um paulo romeu no facebook
silhueta de fernando pessoa e montanhas
vários amigos conhecidos 'o' visitaram
não faço idéia de quem seja mas sei quem seria capaz
-- nunca freqüentei rede social ! --

'funciono' com email - promeu@myzoom.com.br
é o mesmo há 22 anos

...
fui para o rio por conhecer desde a infância
fiquei 44 anos em atividade constante

mineiro inexperiente, caipira, sem jeito, mal informado,
atrevido e disposto a trabalhar direito no rio de janeiro
sempre atento às evoluções e tendências da técnica
passei por gozações, assédios e constrangimentos
superava logo, olhava pra frente

nunca me considerei artista, mas um técnico criterioso, apaixonado pelo ofício
ora vejo que fui um 'provedor de imagens', ferramenta de marqueteiros,
'enfeitador' de idéias e registrador de sucessos 'pra inglês ver'
queria meu trabalho com fins mais nobres, só um pouco foi
eu só fazia o meu, entregava e sumia, eles faturavam

sempre fui rápido, eficiente e 'barateiro', precisava
hoje posso entender em parte a guerra que vivi
sempre fiz o que pude com o que tivesse
de preferência 3 coisas ao mesmo tempo
à brasileira

.

carreira resumida, aleatoriamente, na minha versão
coisas esquecidas ou que não faço questão de lembrar
não me proponho a toda a verdade nem ponho qualquer mentira

estou 'desempregado' desde 1974
'só-brevivi' com fotografias desde 1969
e de 75 a 2005 tive laboratórios próprios
nem fuji nem kodak: sou cria da agfa-gevaert
arte fotog em poços, iluminação e estúdio no rio
minhas faculdades foram 2 grandes laboratórios
fui fotógrafo e repórter policial num jornal em rp
aos 17 anos já podia ver a 'imparcialidade' da mídia
lá também fiz muito casamento, formaturas e festonas
no rio trabalhei com o mafra, na colorart e na multicolor
fiz muito trabalho pra medalhões, era fera nas ampliações
em 73 já sobrevoava o rio e o brasil com, pela e para a votec
fotografei muito avião e helicóptero de helicópteros e aviões
mpm, standard, r. kastrup, mccann, jwt me deram trabalhinhos
fazia laboratório pra jacques van de beuque e o marcel gautherot
fui amigo e provedor das ampliações de paula laclette, a botânica
de 73 a 83 servi à 'pétobráis', terceirizado, fotografando seus ossos
vi luxos, buchos e seus caviares, hoje me revolto, mas eu precisava
no 3º escalão me convidaram a dar uma moto, dei só o capacete e saí
em 1975 me iniciei na área imobiliária com sérgio dourado e a ga, f
de 78 a 2002 ajudei 'seu' oscar niemeyer a apresentar seus projetos
suas observações claras me ajudavam a evoluir bons pontos de vista
no plano cruzado fui atrás de trabalhos de engenharia, não parei mais
fotografei pras maiores empreiteiras e os grandes escritórios de projeto
dezenas de viadutos, centenas de valas canalizadas, duplicações de vias,
mais de mil quilômetros de estradas, urbanização de praças, de favelas,
centenas de kilômetros de "terra incógnita" para linhas de transmissão,
complexos penitenciários, industriais e esportivos, terrenões, fazendas,
anéis viários, e mais... implantações estudadas com nossos vôos e fotos
de 92 a 2004 fiz fotos verticais pra quem sabia que eu fazia, ajudei na
rapidez dos projetos, pela nitidez nos detalhes, evoluindo o que podia
pedia 'autorização' a famigerados para fotografar nos seus territórios
entrei de moto, só, até no morro do alemão para um estudo de obras
um major pm pediu que eu lhes desse palestra com 'máscara ninja'
em 78 colaborei nas exposições do 'programa nuclear brasileiro'
fotografei 70 fazendas do tempo do império para um livro chique
em 81 fiz uma fábrica de molduras auto-adesivas, quase me fui
fotografei e filmei o engenhão, da sua fundação à inauguração
fiz a produção e montagem de painéis no espaço lúcio costa
festa no oscar, porre com darcy ribeiro, empatamos falando
oscar nunca me convidou pra beber, eu era 'muito bebê'
ele sempre pedia pra eu contar minhas viagens de moto
não dele, já recusei uma 'boca' no ministério da cultura
agradeci, vi que teria de usar coleira, e ficar na brasilha
entre 86 e 91 trab... me diverti com o sérgio bernardes
por este tempo aprendia a fazer esculturas em madeira
tive que parar pra não perder trabalhos e poder prover
em 83 e 84 fotografei enduros em praias e montanhas
e agora posso ver, me divertia mais que os corredores
fiz fotos aéreas para univ. harvard, landscape dept
reproduzia arte contemporânea para galerias tops
fui duas vezes à escolinha do professor raimundo
depois tive no estúdio o rolando lero, cascatinha,
seu perú e samuel blaustein; drummond cantava.
a pedido do oscar, fiz as bandeiras do parlatino
fotografei p/ a ufrj; coppe, lab hidrologia, ime
dei palestra na uerj sobre foto-interpretação
servi 20 anos sérgio dias e ricardo amaral
colaborei 10 anos nos projetos do chacel
em 79 fiz fotos de toda a obra de Itaipú
e sei que falta coisa, lembro às vezes
o que valer a pena porei aqui

***

vida suculenta de fotógrafo freelance
quase sempre de motorista e camarote, paparicos
vi de perto muito mais que esperava, situações íntimas
fotografei muita gente trabalhando de me dar vergonha e
tenho vergonha de ter mostrado tantos folgados fingindo trabalhar
ajudei em muitos projetos cujos únicos objetivos eram ser só projetos
relatórios mirabolantes que exauriam as verbas e comprometiam o objetivo
obras coloridas que assim que prontas, arruinavam-se por... 'falta de recursos'

tive sorte com os engenheiros que mudavam de emprego
e me chamavam para suas obras em suas novas casas
a prefeitura ajudou: queriam as 'minhas' fotos
assim conheci as grandes construtoras

algumas coisas achava muito fácil, muitas não levava jeito
disponível sempre, demorei a dizer não com calma
justificativas não explicam nem justificam
trabalhei pra mocinhos e bandidos
entreguei trabalhos medíocres
.

de 99 a 2006, após uma década de prosperidade,
perdi o foco, a velocidade, amigas e trabalhos
passei pelas fases das 'certezas' e ilusões
dúvidas e entendimentos provisórios
me atolei, mas saí e valeu

só depois de haver 'perdido' umas coisas
é que pude ver o que de fato tenho
e principal, o que não preciso

não há mal que não traga algum bem

'certas coisas só podem ser vistas por olhos que já choraram.'
V.

e à medida que os chatos não me chateiam mais
é que posso ver o quanto também já chateei

tudo passa

só hoje posso curtir as músicas dos 80s
e posso muito mais

.

cabeçadas, normais, na teimosia
trabalhos gratificantes, euforias efêmeras
abobado com elogios, não evoluí o que poderia

não há como entender as origens, só as confusões que fazemos

.

enxurradas de trabalhos na década de 90
quando pude comprar equipamentos sérios
curtia a satisfação de entregar um trabalho bem feito
vi caras e satisfações que valiam mais que o pagamento

criado em laboratório, consegui montar uma 'fábrica' de ampliações
mas tento até hoje refinar a composição, o que é o que importa

só e dedicado às correrias dos outros, não atentei às mudanças
com o google-earth atualizando-se diariamente
e os 'malditos' drones, brincando,
fazem melhor o que sempre quis, assim:
https://www.youtube.com/watch?v=1b06A7OVL2o
isso eu fazia com um mapa numa mão, camera na outra

tentei dominá-los mas não deu certo
fugi da idéia de montar equipe pra isso
já com preguiça de aturar envolvimento com
animadinhos(as), afetados(as) e encostados(as)
(pra encontrar trabalho não lembro de ter ajuda)
as melhores expectavivas me desapontaram
criei corvos e cobras, perdi meus ânimos
e as pressas

simultaneamente vieram as 'marolinhas':
depois do susto de wall street em 2008
grandes clientes reduziram e frearam
suei pra receber trabalhos entregues
nada mais desagradável que cobrar
depois fiquei só fazendo propostas
e o telefone acabou emudecendo

o que fiz ou deixei de fazer, fui eu mesmo que fiz ou não fiz
sempre saiu do meu bolso o que montei ou contratei
assim me mantive 'nas pontas' por uns 25 anos
fui útil e eficiente: isto é 'o mais principal'
.
.
.

fotos aéreas:
talvez eu tenha mais de mil horas de vôo nesta atividade
vivi várias panes e três acidentes que podiam ser fatais
num destes, 'guardados' na serra de petrópolis
valeu meu conhecimento do terreno

conhecido pelos pilotos por acertar a proa de longe
diziam que eu tinha um gps implantado na cabeça
desenvolvi boa antevisão às mudanças de tempo

foram comigo bons amigos, todos. ficaram boas saudades
até hoje sonho que estou voando, às vezes
.

quando me contratava, todo cliente estava empolgado
voando na baixada fluminense, procurando terrenões,
um gringo, vendo aquele mar de pobres, disse no vôo:
"aqui nós vamos venderr muito sabón e macarón!"

mas dava gosto participar de outras finalidades
de quem, às vezes não cobrava - iniciantes e estudantes

como este, numa obra bonita e bem feita:
barragem de ilha dos pombos, rio parahyba, março de 96
o engenheiro, 25 anos, chorava e gritava no vôo:
"olha paulo, fui eu que fiz, fui eu que fiz !!! "
emocionava

e pra peãozada também
presenteava com as ampliações que sobravam (fazia 10% a mais)
eles mandavam pra família e os amigos saberem o que faziam no sul
no metrô botafogo deixei de uma só vez uns 10 kg (!) de ampliações A4

mas também tinha que ouvir de clientes 'amigos':
_"o paulo não sabe ganhar dinheiro!" (chefetes da prefeitura)
e de ajudantes bem agraciados: "_ o paulo não tem ambição!"

nunca associei fotografar e administrar uma firma; minhas deficiências
a ida a uma obra longe era um bom passeio de moto ou helicóptero
a produção da encomenda era meu orgulho de técnica atualizada
e a grana era distribuida a merecedores e 'tomadores'
achava que os contadores fariam sua parte

tive o privilégio de ter grandes e importantes trabalhos
e o direito vitalício de dar 1/3 de tudo a um estado ingrato

em 2006 reavaliei o que não sabia que já sabia
e, se tudo que tentei tivesse dado certo
não sei como estaria, se estivesse

aprendo à tarde o que não entendi de manhã

. . .
então,
sou grato demais à minha vó Sabina (1886-1975) que me ensinava,
aos 5~6 anos, fazer os brinquedos que seus irmãos inventavam
assim desenvolvi as habilidades básicas que aproveitei na vida.

devo muito aos professores inesquecíveis: maria enir (em 1 mês li e escrevi),
luis carlos de oliveira e silva, meu 'irmão', nadir gavião, eunice frizon,
nicola romano, irmão gregório, carmelo luíses, padre jayme sullivan,
mariano jacon, primo fantozzi, júlio bonazzi, wilson moura, carl hilmer,
carlos moscovitch, nelson kenji osanai, joaquim schultz, dr 'iodo', rodezir martins, lula campello, eduardo baron, márcio manela, cláudio poubel,
anne lore, e os que esqueço. Sou um pouco de cada um e muito de todos.

aos amigos que perdi no caminho ou se desviaram e nem sei onde estão hoje

e mesmo aos professores 'donos da verdade', sem opiniões próprias,
que impondo 'certezas' dos outros 'ensinam' o que nem sabem

aos meus 3 filhos ativos; minhas medalhas, espelhos e sementes
por quem me fiz precisar e me deram o gosto de ser gostado
mais as chances de me passar a limpo com os netos

a um gato gaiato e uma gata sofisticada que resolveram morar aqui
ela bem felina, 'muito gata' como disse meu neto pedro paulo
ele um animal ninja, castrado mas ainda o rei dos telhados
belinha e o onço, meu gato
mais os tantos muitos passarinhos que nos visitam (pra comer)
fiz uma lista que já está com 17 espécies de visitantes, 5 beija flores
um destes miúdos pousa pra descansar e imita o bem-te-vi, eu vi
refino e projeto com eles os estímulos básicos, o que vale
e de todos tento ser o melhor mordomo
(não quero mais viver sem gatos)
.
.
............................
assim que puder passo a régua nas obrigações e gratidões a cumprir
pois não há prazo de validade carimbado no meu braço
e é nada difícil ficar restrito às minhas origens

enquanto não me arremato, ando aqui pela região
conhecendo os lugares que só ouvia falar na infância,
motor 2t, o som da motocicleta, boas fumaças, asfalto não,
fugindo de vacas brabas e cachorros chatos
marcando tocos velhos pra cavucar um dia, paro fácil,
olhando e esperando encontrar o lugar que me espera,
'panhando' goiaba, bebendo água de mina, cheirando folhas,
acendendo pito e apurando o ouvido aos sons vivos do lugar,
vou às comidas simples, frango, assados, pingas de verdade,
fico nas cozinhas, onde as melhores conversas
caipiras cheirosas, 'orgânicas', risadas saudáveis,
ainda me fazem acreditar

nem penso fotografar estas caras, estragaria
não tive o berço e a folga dos medalhões famosos
nem a cara de pau dos exploradores de tipos sofridos
só converso muito e lembro bem, o que vale a pena

'linháis', fotos de passeio limitam e apagam as lembranças

e os velhos valem muito a pena
outro dia, quis saber de um carreiro aposentado
seu Jair, 90 anos (ele anda mais rápido que eu)
perguntei:

_ qual era a velocidade de um carro de bois ? quanto vc andava num dia de viagem ?

ele parou, olhou pro chão, pra mim ... e disse mansinho:

" _ O boi anda na toada da cantiga do carro ! "

pra que mais ?

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